Reflexões sobre a Prática Profissional e os Encaminhamentos na Escola Pública​ Ginildete Manaia 31 de julho de 2026

Reflexões sobre a Prática Profissional e os Encaminhamentos na Escola Pública
​Ginildete Manaia
31 de julho de 2026
​O cotidiano da escola pública revela desafios profundos na interface entre educação e saúde mental. Vivenciando de perto problemas na minha própria estrutura familiar e no contexto da educação dos meus filhos, escuto e já presenciei situações parecidas de determinados profissionais fazendo encaminhamentos precipitados — como o direcionamento automático para o CREAS — sem saber qual seria a real necessidade da nossa família, do aluno, da criança e do adolescente. Observo com preocupação essa conduta de profissionais de psicologia e psicopedagogia que, muitas vezes, não realizam uma anamnese rigorosa ou uma escuta atenta, emitindo prognósticos apressados sem contato adequado com o analisando e indicando serviços sem critério técnico.
​Essa falha sistêmica acontece porque o atendimento se tornou excessivamente automatizado. É como se a equipe pegasse um roteiro pronto e padronizasse o encaminhamento para todos, aplicando a mesma receita sem avaliar a singularidade de cada caso.
​Vale destacar a importância de lembrar que lidar com relações interpessoais exige, antes de tudo, olhar para dentro de si mesmo. O próprio corpo da equipe de psicologia, psicopedagogia, além de professores, gestores e demais profissionais que integram o ambiente escolar, também precisa de acompanhamento e suporte emocional. Cuidar de quem cuida é um exercício desafiador; afinal, o profissional que atua no automático muitas vezes o faz justamente por estar sobrecarregado e sem o devido espaço de escuta para si próprio, refletindo em condutas distorcidas no dia a dia.
​Encaminhar uma família sem investigar a sua realidade desconsidera a singularidade do sujeito e demonstra desconhecimento das atribuições da própria rede. Para esclarecer esse ponto, é fundamental destacar o papel real do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social): trata-se de uma unidade pública estatal que atende famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social por violação de direitos (como violência física, psicológica, negligência, entre outras). Ele não é um serviço de psicoterapia clínica genérica ou um substituto para o acompanhamento de saúde mental de rotina, sendo um equívoco grave usá-lo como "despacho" para demandas escolares que não envolvem violação de direitos.
​No meu caso, assim como em muitas realidades semelhantes, eu já possuo convênio de saúde, e minha família e meus filhos já são devidamente assistidos por psicólogos e outros profissionais particulares. O direcionamento cego desrespeita o suporte que já mantemos e gera constrangimentos desnecessários.
​É preciso realmente um cuidado, uma escuta atenta e um olhar mais humanístico por parte da equipe escolar e de psicologia das instituições de ensino. Acredito que um bom aproveitamento na educação dos nossos filhos e a verdadeira parceria entre escola e família só se consolidam quando há respeito, acolhimento genuíno e responsabilidade técnica, abolindo os julgamentos superficiais e os encaminhamentos sem embasamento ou escuta qualificada.

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