O Silêncio que Grita: Reflexões sobre a Luta Antimanicomial e o Caos do Cotidiano. Por: Ginildete Manaia
O Silêncio que Grita: Reflexões sobre a Luta Antimanicomial e o Caos do Cotidiano.
Por: Ginildete Manaia
No dia 18 de maio, celebramos o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Para mim, essa data transborda o simbolismo das reformas legislativas; ela é um convite visceral à introspecção sobre como percebemos o "outro" e, principalmente, como cuidamos da sanidade que nos resta em ambientes cada vez mais hostis. Erguemos a bandeira de "uma sociedade sem manicômios", mas me pergunto: de que serve derrubar os muros de pedra se as grades da intolerância e do desequilíbrio seguem intactas no tecido social das nossas comunidades?
A Patologia do Invisível
Ao observar o cotidiano ao meu redor, percebo uma realidade inquietante. Convivo com indivíduos que transitam sob o rótulo da "normalidade", mas que, no teatro das relações vicinais, revelam abismos psíquicos profundos. Refiro-me àqueles que, diante de conflitos triviais, rompem com qualquer rastro de civilidade.
É impossível ignorar o transtorno que se manifesta em gestos de violência extrema. Quando um vizinho arremessa objetos cortantes, empunha uma arma de fogo ou profere ameaças de morte, não estamos apenas diante de um "temperamento difícil". Estamos testemunhando a falência do autocontrole e a manifestação de distúrbios que, embora não diagnosticados formalmente, corroem a paz coletiva.
A essência da luta antimanicomial é o cuidado em liberdade. Contudo, esse cuidado exige uma rede de apoio que funcione. Quando vejo o abuso de poder ser exercido como se o território fosse um feudo sem leis, compreendo que a saúde mental não é apenas a ausência de doença, mas a capacidade de viver em alteridade.
A reforma psiquiátrica não se encerrou com o fechamento dos grandes hospícios; ela se renova a cada dia nos corredores e territórios onde atuam o CAPS, o CRAS e o CREAS. Para mim, essa tríade representa a espinha dorsal de uma sociedade que decidiu humanizar o sofrimento e enfrentar a vulnerabilidade com acolhimento, e não com exclusão.
Hoje, a Luta Antimanicomial é o alicerce da Reforma Psiquiátrica Brasileira (consolidada pela Lei 10.216/2001). Ela se traduz na substituição dos hospitais psiquiátricos.
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