O Elo Invisível: Minha Análise sobre o Acompanhamento de Mães no Contexto da Neurodivergência .
O Elo Invisível: Minha Análise sobre o Acompanhamento de Mães no Contexto da Neurodivergência
Por: Ginildete Manaia
Assistente Social, Clínica Psicanalista e Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos. Especialista em Intervenção ABA aplicada ao TEA e Pós-graduada em Docência do Ensino Superior com Ludopedagogia.
A jornada de acompanhar mães atípicas — especificamente aquelas que vivenciam a interseção entre o autismo e as deficiências físicas em seus filhos — é uma das frentes mais complexas e gratificantes da minha atuação. Em minha prática, percebo que o foco clínico muitas vezes silencia a figura materna, tratando-a apenas como uma extensão dos cuidados do filho. Minha proposta é inverter esse olhar: eu não acompanho apenas um diagnóstico, eu acompanho uma vida que sustenta outra.
A Complexidade da Dupla Adaptação
Quando atuo com crianças que apresentam neurodivergência associada a limitações físicas, entendo que a barreira é dobrada. Não lido apenas com as questões sensoriais e de comunicação do espectro, mas com a necessidade de acessibilidade real. Minha intervenção busca mediar esse processo, transformando o ambiente em um espaço de acolhimento.
Utilizo a análise do comportamento (ABA) não apenas como uma técnica para a criança, mas como uma ferramenta de empoderamento para essa mãe. Meu objetivo é ajudá-la a decodificar os sinais de seu filho, transformando o que parece ser uma crise em uma oportunidade de comunicação e conexão profunda.
O Lúdico como Resgate do Afeto
Acredito fielmente que a ludopedagogia é um direito de ambos. Muitas vezes, a rotina de terapias e reabilitação física drena a leveza da relação entre mãe e filho. Por meio do brincar adaptado, eu busco devolver a essa mulher o prazer de interagir com sua criança, permitindo que o cuidado não seja apenas uma tarefa técnica, mas um ato de descoberta mútua.
A Reabilitação do "Eu" Materno
Como assistente social e psicanalista, minha escuta está voltada para o que não é dito. A reabilitação de uma criança neurodivergente é um projeto de longo prazo que, frequentemente, consome a identidade da mãe. Meu compromisso profissional é garantir que o suporte contemple a saúde mental dessa mulher. Precisamos enfrentar o isolamento social e a carga mental que o diagnóstico impõe, promovendo uma autonomia que respeite seus limites.
Conclusão
Minha análise é clara: o sucesso do desenvolvimento de uma criança com autismo ou deficiência física é indissociável da rede de apoio oferecida a quem a cuida. O acompanhamento eficaz é aquele que enxerga além das limitações biológicas e prioriza a dignidade humana. Cuidar de quem cuida é, para mim, o pilar central de uma prática profissional ética e transformadora.
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