A Conivência Silenciosa: O Peso Ético e Jurídico de Defender o Inadmissível. Por: Ginildete Manaia
A Conivência Silenciosa: O Peso Ético e Jurídico de Defender o Inadmissível
Ginildete Manaia
Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos, Especialista em ABA e Psicanalista Clínica
Em minha trajetória profissional, lidando diariamente com a complexidade do comportamento humano e a fragilidade das relações sociais, deparo-me com um fenômeno perturbador: a defesa pública ou velada de abusadores e agressores. Quando alguém se levanta para justificar, minimizar ou proteger quem comete atos de violência, não estamos diante apenas de uma opinião pessoal, mas de uma forma perigosa de conivência que perpetua o ciclo de dor das vítimas.
Entendo, sob a ótica da psicanálise e do serviço social, que essa defesa muitas vezes se esconde atrás de laços afetivos ou de uma negação da realidade. No entanto, é preciso ser enfática: quem defende um agressor torna-se cúmplice moral da agressão. Ao relativizar a violência — seja ela física, psicológica ou sexual — o defensor ataca a vítima uma segunda vez, silenciando o seu clamor por justiça e reforçando a sensação de impunidade que tanto adoece nossa sociedade.
Do ponto de vista legal e ético, a conivência pode caminhar para o terreno da criminalidade. A apologia ao crime ou o favorecimento pessoal são condutas previstas em nosso ordenamento jurídico para punir quem auxilia ou exalta criminosos. Como assistente social, vejo que essa proteção ao abusador desmantela a rede de apoio necessária para a reabilitação social e para a segurança pública. Não há meio-termo na ética do cuidado: ou estamos do lado da proteção à vida e à integridade, ou estamos alimentando a barbárie.
Acredito que a justiça deve ser rigorosa, não apenas com quem desfere o golpe, mas com a estrutura que o sustenta. Combater a violência exige coragem para romper com o silêncio e com a proteção indevida. Minha missão permanece firme no acolhimento de quem sofre e na denúncia intransigente de qualquer forma de abuso, pois onde a violência é defendida, a humanidade se perde.
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