O TEATRO DA EXTORSÃO: Onde a Lei se curva ao "Laranja" e o Trabalhador é o Alvo. Por: Ginildete Manaia
O TEATRO DA EXTORSÃO: Onde a Lei se curva ao "Laranja" e o Trabalhador é o Alvo
Por: Ginildete Manaia
Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos, Especialista em ABA e Pós-graduada em Docência do Ensino Superior com Ludopedagogia.
O que eu relato aqui não é fruto de "ouvi dizer". Eu falo como cidadã, como profissional da área social e, acima de tudo, como vítima. Trago este depoimento com a total propriedade de quem vivenciou e testemunhou o funcionamento de uma engrenagem perversa de corrupção que acontece à luz do dia nas ruas de Lauro de Freitas. O que vi não é fiscalização de trânsito; é um espetáculo de extorsão montado para moer quem já luta para sobreviver.
Eu vivi o roteiro: surge o "laranja", o intermediário que não deveria estar ali, mas atua como mestre de cerimônias do abuso. Ele se aproxima, oferece o "serviço", diz que conhece os agentes. Ele anota seu nome, telefone e placa. Enquanto você aguarda, a mensagem corre por baixo do pano até o agente que está na mesa.
A transação ocorre nas sombras. Quando o movimento diminui, o documento é liberado como se fosse um favor, mas o preço te espera lá fora: um depósito na conta do laranja, valor este dividido entre quem deveria servir à lei, mas escolheu servir ao próprio lucro.
Isso é um roubo descarado contra o cidadão de bem.
Como podemos aceitar discursos de Justiça Social e Equidade de nossos gestores, se o Estado nos sufoca com impostos (IPVA, IPTU, licenciamento) e, na hora da dificuldade, nos entrega à mão de servidores corruptos? Para quem vive de salário mínimo e compromete 60% da renda com comida, ser extorquido por quem deveria dar o exemplo ético é o ápice da covardia.
Eu cansei da inércia. Como Assistente Social e cidadã, afirmo: o oprimido continuará sendo oprimido pelo opressor enquanto permanecer na posição de medo e de vítima. Este é o meu apelo e a minha denúncia formal à segurança pública, ao judiciário e aos órgãos de fiscalização. Precisamos de uma varredura urgente nos órgãos públicos de Lauro de Freitas e do nosso país.
A corrupção se alimenta do nosso silêncio. Eu não me calarei. E você?
Comentários
Postar um comentário