A Teoria Inseparável da Prática: O Enfrentamento às Raízes da Violência Contra a Mulher.

A Teoria Inseparável da Prática: O Enfrentamento às Raízes da Violência Contra a Mulher

Por: Ginildete Manaia Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos, Especialista em Intervenção ABA aplicada ao TEA e Pós-graduada em Docência do Ensino Superior com Ludopedagogia.

​A educação é o pilar da transformação social, mas para que ela mude realidades, a teoria deve estar indissociavelmente aliada à prática. No meu cotidiano profissional, observo que a base das problemáticas que envolvem a violência contra a mulher reside em uma estrutura patriarcal histórica, transmitida de geração em geração. Muitas vezes, o comportamento dos filhos é o reflexo do que vivenciam em casa. Por isso, precisamos trabalhar a questão teórica nas escolas e nas famílias, mas precisamos, sobretudo, fortalecer as meninas e mulheres na prática.

​Fortalecer significa abrir caminhos para que a denúncia seja formalizada sem que a vítima seja "empurrada" de um lado para o outro. É inadmissível que as delegacias, sejam especializadas ou territoriais, continuem revitimizando mulheres, submetendo-as ao constrangimento e ao descaso institucional. A violência não se restringe ao seio familiar; ela está no ponto de ônibus, no trabalho, na vizinhança e no assédio de estranhos. Ignorar que o espaço público é um cenário de agressão é falhar na proteção básica do Estado.

​É urgente que os Três Poderes e a Presidência da República olhem para a valorização da proteção feminina com rigor. A impunidade não pode ser blindada por cargos ou patentes. Defendo que a punição deve ser proporcional ao nível de instrução do agressor: se um servidor público, um professor ou um promotor de justiça — pessoas que detêm o conhecimento da lei — comete uma agressão, a penalidade deve ser rigorosamente maior. Quem tem o dever de educar ou aplicar a justiça não pode usar sua posição para burlar o sistema.

​Não podemos mais esperar que casos como o de Maria da Penha cheguem ao limite da morte para que algo seja feito. A justiça e a proteção real só acontecem quando o acolhimento é humanizado e quando o agressor, independente de sua posição social, é devidamente punido. A teoria que ensinamos deve servir para salvar vidas na prática.


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