Perspectivas de um Olhar Clínico: As Faces do Tráfico e do Narcotráfico. Por: Ginildete Manaia
Perspectivas de um Olhar Clínico: As Faces do Tráfico e do Narcotráfico
Por: Ginildete Manaia
No meu cotidiano profissional, onde transito entre a escuta sensível da psicanálise e a intervenção direta da assistência social, vejo o tráfico de drogas não apenas como um crime, mas como uma patologia social que devora destinos. Para mim, é fundamental diferenciar as engrenagens que movem o traficante e o narcotraficante, pois trato as feridas que ambos deixam na alma humana.
Meu olhar sobre o Traficante
Quando olho para o traficante que atua no varejo, vejo alguém que está na linha de frente da vulnerabilidade. No meu consultório ou nos centros de reabilitação, percebo que esse indivíduo é movido por um imediatismo pulsional. Ele busca no crime o pertencimento que a sociedade lhe negou. Sua violência é reativa, territorial e, acima de tudo, exposta. Eu o vejo como alguém que, muitas vezes, é ao mesmo tempo carrasco e refém de um sistema que o descarta com a mesma rapidez com que ele busca o lucro fácil.
Minha análise sobre o Narcotraficante
Já o narcotraficante eu descrevo como o arquiteto do caos. Ele não está na esquina; ele está em escritórios, gerindo logística e lavagem de dinheiro. Através da minha lente clínica, identifico nele traços de uma perversão estruturada. Não há o "calor" da disputa de rua, mas a frieza do cálculo. Eu noto que ele não se vê como criminoso, mas como um magnata, distanciando-se do sofrimento do dependente químico para manter sua fachada de sucesso. Ele não entrega a droga; ele entrega o vício a nações inteiras, operando com uma ausência de empatia que beira a psicopatia.
Minha Conclusão como Profissional
Eu acredito que para combater esse mal, preciso entender essas nuances. Enquanto o traficante local é o sintoma de uma ferida social aberta, o narcotraficante é o agente infeccioso que lucra com a decomposição do tecido familiar. Minha luta, como técnica e psicanalista, é resgatar o que resta de subjetividade em meio a esse cenário de desolação.
Nota de Reflexão: "O tráfico não oferece futuro, ele apenas empresta um presente que cobra juros com a própria vida."
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