O Teatro do Tráfico: Onde o Aliciamento Encontra a Hipocrisia. ​Por: Ginildete Manaia

O Teatro do Tráfico: Onde o Aliciamento Encontra a Hipocrisia

​Por: Ginildete Manaia
​Vamos falar de realidade? Mas sem os termos técnicos que ficam bonitos no papel e longe da lama. Como alguém que vive e trabalha dentro da comunidade, eu não vejo o tráfico como um "universo paralelo"; eu vejo ele como um câncer alimentado por quem deveria estar operando a cura. É hora de um detox de realidade.
​O senso comum adora apontar o dedo para a periferia, mas esquece de perguntar quem é que fornece as armas e quem é que lucra com o silêncio. O recrutamento de crianças e adolescentes não acontece num submundo escondido; ele acontece debaixo do nariz de todo mundo. Acontece na porta da escola, no parquinho onde o Estado não chega, e até naquele shopping brilhante onde o adolescente entra para ser julgado pela roupa que veste e acaba sendo acolhido pela "oportunidade" do crime.

​O Sarcasmo da Segurança Pública

​É quase irônico — se não fosse trágico — observar como o círculo do tráfico é lubrificado por quem tem influência dentro da segurança pública e de outros órgãos institucionais. Enquanto o discurso oficial é de "combate às drogas", nos bastidores da vida real, o que vemos é uma organização criminosa que só se mantém de pé porque existem mãos influentes segurando a base.
​O recrutador que aborda o jovem na escola não é um lobo solitário; ele é o último elo de uma corrente que envolve gente de colarinho branco e farda suja. Eles se aproveitam da inimputabilidade do menor para criar um exército descartável. E o "sistema"? O sistema finge que não vê, enquanto as estatísticas de óbitos de jovens negros e periféricos só aumentam.

​O Cenário Atual: A Escola como Balcão de Negócios

​O cenário atual é esse: o parque virou ponto de observação e a escola, muitas vezes abandonada pelo poder público, vira balcão de negócios para o aliciamento. O crime organizado não "sequestra" a criança; ele a "adota" diante da negligência de quem deveria garantir o básico.
​Como Assistente Social e Psicanalista, eu me recuso a romantizar ou a fechar os olhos para a conivência institucional. O aliciamento é um crime de oportunidade, e a oportunidade é dada pela corrupção de quem deveria estar do lado de cá.
​Não adianta tratar a dependência química ou a criminalidade apenas no consultório se a gente não denunciar o esquema que mantém a engrenagem girando. O tráfico é um negócio próspero porque o "sócio oculto" — aquele que tem influência e poder — ganha muito com a desgraça alheia.
​Autora: Ginildete Manaia
Assistente Social, Psicanalista Clínica e Técnica em Reabilitação.

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