O Silêncio que Segrega: Reflexões sobre a Intolerância Religiosa e a Saúde Mental ​Por: Ginildete Manaia Assistente Social, Psicanalista Clínica e Técnica em Reabilitação em Dependência Química.

O Silêncio que Segrega: Reflexões sobre a Intolerância Religiosa e a Saúde Mental

Por: Ginildete Manaia

Assistente Social, Psicanalista Clínica e Técnica em Reabilitação em Dependência Química

​No dia 21 de janeiro, celebramos o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para mim, esta data não é apenas um marco no calendário civil, mas um convite profundo à análise sobre como o preconceito reverbera na alma e na estrutura da nossa sociedade.

​Em minha trajetória, transitando entre a assistência social e a psicanálise, observo que a fé — ou a ausência dela — é um dos pilares centrais da identidade humana. Como preconiza o Código de Ética do Assistente Social, meu compromisso é com a "eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade". A intolerância religiosa é uma violação de direitos humanos que fragmenta o tecido social e marginaliza sujeitos.

​Do ponto de vista psicanalítico, a intolerância revela uma dificuldade em lidar com a alteridade — aquilo que no "outro" é diferente de mim. Freud já nos alertava sobre o "narcisismo das pequenas diferenças", onde a agressividade é direcionada a quem não reflete nossa própria imagem. Quando alguém é cerceado em sua crença, o que ocorre é uma tentativa de apagar a subjetividade do indivíduo. A intolerância adoece; ela gera ansiedade, isolamento e um desamparo que ecoa nos consultórios e comunidades.

​Como técnica em reabilitação, vejo diariamente o quanto a espiritualidade, vivida em liberdade, serve como um fator de proteção e resiliência no tratamento de adicções. Negar esse direito é retirar do sujeito uma ferramenta vital de suporte e sentido de vida.

​Este artigo é o meu manifesto por uma escuta mais ética e menos julgadora. Que neste 21 de janeiro possamos compreender que a paz social e o bem-estar emocional caminham de mãos dadas com a liberdade de ser, sentir e crer. O respeito ao sagrado do outro é, antes de tudo, um respeito à própria humanidade.


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