O Estrondo em Caracas e o Reflexo em Nossa Alma: Minha Visão sobre a Intervenção na Venezuela Por: Ginildete Manaia
O Estrondo em Caracas e o Reflexo em Nossa Alma: Minha Visão sobre a Intervenção na Venezuela
Por: Ginildete Manaia
Hoje, 3 de janeiro de 2026, o mundo acordou com o som de explosões vindo de Caracas, mas para mim, o impacto ressoa de forma muito mais profunda. Como Assistente Social, Psicanalista e Técnica em Reabilitação, não consigo observar o ataque dos Estados Unidos à Venezuela apenas pelas lentes da geopolítica. Eu vejo, acima de tudo, o sofrimento humano, a quebra das subjetividades e o trauma social que se instala no coração da América Latina.
A Queda e o Caos: O Que Meus Olhos Veem
A notícia da captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores por forças especiais americanas, após bombardeios em pontos como a base de Fuerte Tiuna, me faz refletir imediatamente sobre o desamparo. Washington justifica a ação como o desmantelamento de um "narcoestado", um termo que, na minha prática com reabilitação de dependentes, conheço bem pelas suas raízes de dor e degradação social. No entanto, quando esse combate se transforma em uma intervenção militar externa, o custo para a saúde mental da população é imensurável.
Eu vejo Caracas hoje não apenas como um campo de batalha, mas como um corpo social em choque. A falta de energia e os incêndios que cercam a capital venezuelana são metáforas do apagão emocional que atinge as famílias. Como psicanalista, sei que o trauma de um ataque dessa magnitude gera cicatrizes que a política não consegue curar com canetadas ou novos regimes.
Entre a Ética Social e a Realidade Política
Em minha trajetória como assistente social, minha prioridade sempre foi a defesa da dignidade e da soberania do indivíduo e dos povos. Por isso, observo com extrema cautela a divisão internacional: o Brasil e a ONU clamando por legalidade, enquanto outros celebram a "libertação". Eu me pergunto: como ficará o tecido social venezuelano amanhã?
As cenas de resistência convocadas por Vladimir Padrino López sugerem que o conflito pode se arrastar, e isso significa mais famílias fragmentadas e mais indivíduos recorrendo a mecanismos de fuga — muitas vezes as substâncias químicas — para suportar a realidade de um país invadido.
Meu Compromisso como Analista e Cidadã
Minha análise é clara: o fim de um ciclo político, mesmo que desejado por muitos, quando imposto pela força das armas estrangeiras, deixa um vácuo de identidade. Como técnica em reabilitação, entendo que a "cura" de uma nação exige um processo interno, de autoconhecimento e reconstrução, e não uma intervenção abrupta que ignora a dor do povo.
Mantenho-me em vigília hoje, acompanhando cada desdobramento e cada pronunciamento vindo de Mar-a-Lago. Meu olhar continuará atento, não apenas aos mapas de guerra, mas às pessoas — às mães, aos filhos e aos trabalhadores que, agora, tentam sobreviver ao dia mais longo de suas vidas.
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