ENTRE MÍSSEIS E SUBJETIVIDADES: O SEQUESTRO DA VIDA Por: Ginildete Manaia
ENTRE MÍSSEIS E SUBJETIVIDADES: O SEQUESTRO DA VIDA
Por: Ginildete Manaia
Hoje, 3 de janeiro de 2026, o mundo acorda com o impacto das explosões em Caracas. Como Assistente Social, Psicanalista e Técnica em Reabilitação, meu olhar atravessa o noticiário político para focar nas cicatrizes invisíveis que se formam na alma de um povo. O que assistimos não é apenas uma manobra militar; é a materialização da Necropolítica.
📖 O Conceito: Quem tem o direito de viver?
O filósofo Achille Mbembe nos ensinou que a soberania moderna se define pela capacidade de ditar quem deve viver e quem pode morrer. Na Venezuela, o sequestro dos poderes estatais por forças estrangeiras — sob o pretexto de combater o narcoterrorismo — expõe essa lógica de forma nua e crua.
Como analista da psique humana, percebo que, ao extrair líderes à força e bombardear centros urbanos, o sujeito de direitos é reduzido a um "objeto descartável". Esse desamparo provocado é a semente de traumas geracionais que nenhuma política externa consegue reparar.
🇧🇷 O Espelho Brasileiro: A Morte Silenciosa
Minha prática profissional me obriga a traçar um paralelo com a nossa realidade. Se na Venezuela a necropolítica se manifesta pelo estrondo das bombas, no Brasil ela opera no silêncio das omissões:
Na Negligência: Com a saúde mental e as políticas de reabilitação. Na Seletividade: Da violência que atinge nossas periferias. No Abandono: Daqueles que lutam contra a dependência química.
Tanto a invasão externa quanto a exclusão social interna bebem da mesma fonte: a ideia de que certas vidas são menos valiosas e, portanto, "matáveis".
💪 Meu Compromisso: A Bio-resistência
Como profissional que lida com a dor e a reconstrução de identidades, entendo que minha missão é resistir a essa política da morte.
A Psicanálise e o Serviço Social são ferramentas de resistência. Enquanto a necropolítica busca o silenciamento, nós buscamos a palavra e o resgate da cidadania.
A verdadeira libertação não virá através de bombardeios que geram mais luto e caos. Ela só é possível quando devolvemos aos sujeitos a posse de sua própria história. Sigo firme em meu compromisso ético de cuidar daqueles que o poder insiste em esquecer.
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