Calçada não é Puxadinho: Onde você acha que o pedestre deve passar?
Calçada não é Puxadinho: Onde você acha que o pedestre deve passar?
Por Ginildete Manaia
Especialista em Intervenção ABA Aplicada ao Transtorno do Espectro Autista, Pós-graduada em Docência do Ensino Superior com Ludopedagogia, Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependência Química e Psicanalista Clínica.
Parece que o senso comum virou artigo de luxo, não é? Tem gente que olha para a calçada e, em vez de ver um passeio público, enxerga um anexo da própria garagem ou um depósito particular para tanques, entulho e vasos. Pois bem, deixe-me te contar uma novidade: a calçada não é sua.
Como alguém que trabalha diariamente com a ciência ABA e luta pela autonomia de pessoas com autismo, eu perco a paciência quando vejo o direito de ir e vir ser tratado como lixo. Quando você decide que o seu carro "só vai ficar um minutinho" na calçada, você está forçando um cadeirante, um idoso ou uma criança autista a se arriscar no meio dos carros. É falta de empatia ou é só falta de ler o Código de Trânsito mesmo?
Aqui está o "preço" da sua falta de noção:
1. Seu carro não tem pés, mas pode "ganhar" um guincho
Se você estaciona na calçada, você não está sendo "esperto", está cometendo uma infração grave (Art. 181 do CTB). Além de perder 5 pontos na carteira e pagar uma multa salgada, você ainda corre o risco delicioso de chegar e não encontrar seu carro, porque ele foi levado para o pátio. Valeu a pena a economia de trinta metros de caminhada?
2. A calçada não é seu depósito de tralhas
Acha que colocar um tanque ou material de construção na via de circulação é "dar um jeitinho"? As prefeituras não acham. O Código de Posturas prevê multas pesadíssimas e a apreensão imediata de qualquer objeto que bloqueie a passagem. A calçada é para o pedestre, não para o seu estoque de bagunça.
3. A conta pode chegar no tribunal
Como psicanalista e assistente social, eu lido com as consequências do isolamento. Quando você bloqueia o caminho, você exclui. E se essa exclusão causar um acidente — se um cego ou um autista se machucar tentando desviar da sua "propriedade" — prepare o bolso: a Lei Brasileira de Inclusão e a responsabilidade civil vão te cobrar caro por danos morais e materiais.
Conclusão: Respeito é bom e a lei exige.
Se você quer espaço particular, use o quintal da sua casa. A calçada é o lugar onde a cidadania acontece, e eu não vou ficar calada vendo barreiras físicas serem impostas a quem já luta tanto por inclusão. Vamos aprender a conviver em sociedade ou vamos precisar que o guincho ensine a lição?
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