A Interseccionalidade no Cuidado e a Luta pelo Fortalecimento Profissional Autora: Ginildete Manaia Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependência Química e Psicanalista Clínica.
A Interseccionalidade no Cuidado e a Luta pelo Fortalecimento Profissional
Autora: Ginildete Manaia
Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependência Química e Psicanalista Clínica.
Como profissional que transita entre diferentes saberes, entendo que a minha prática não se limita a um único espaço de atuação, mas sim a um compromisso ético e político com o sujeito. Ao longo da minha trajetória, percebi que o sofrimento humano não pode ser fragmentado; ele exige uma escuta que seja, ao mesmo tempo, social, clínica e técnica.
Minha inserção nos espaços socio-ocupacionais é guiada pela compreensão de que não sou apenas uma executora de tarefas, mas uma intelectual da prática. Como bem pontua Marilda Iamamoto, o assistente social deve ter a capacidade de "decifrar a realidade e construir propostas de trabalho que preservem e efetivem direitos". Eu tomo essa premissa como o alicerce do meu trabalho: busco interpretar as necessidades de quem me procura dentro da complexa dinâmica social, garantindo que a cidadania seja uma realidade concreta.
Entretanto, não posso falar de prática sem falar da luta da nossa categoria. É imperativo destacar o papel do CFESS e dos CRESS nessa rede de união necessária para que nós, profissionais, possamos adentrar e nos consolidar no mercado de trabalho — seja na Saúde, na Educação ou no Judiciário. Vivemos uma realidade injusta onde a exigência de "experiência em carteira" se torna uma barreira excludente para muitos colegas que possuem vivência de campo, estágios e voluntariados, mas que são invisibilizados pelo sistema.
Eu me uno à voz daqueles que clamam por uma valorização real. O Conselho precisa ser o farol que valida e legitima o esforço de quem está começando. Não podemos aceitar que o profissional diplomado e especializado tenha que "pagar para trabalhar". A realidade do profissional autônomo hoje é marcada por taxas de ISS abusivas que, muitas vezes, superam o valor da nossa anuidade, desvalorizando anos de estudo e dedicação. Nós buscamos uma renda digna, justa e o direito ao sustento, e não uma carga tributária que invalide nosso exercício profissional.
No campo da reabilitação e da psicanálise, onde também atuo, essa visão crítica se fortalece. Através da escuta clínica, busco alcançar o que está além do sintoma, mas sempre consciente das estruturas sociais que nos cercam. Ser profissional hoje exige a coragem de integrar o suporte social com o acolhimento psíquico, sem jamais abandonar a luta política por condições dignas de trabalho.
Concluo reafirmando que minha missão, enquanto assistente social e psicanalista, é decifrar realidades e construir pontes. Sigo ao lado da categoria, defendendo que a nossa validação profissional venha acompanhada de direitos garantidos, para que a dignidade seja o destino final de cada processo que acompanho e de cada colega que inicia essa jornada de resistência.
Como Assistente Social, Psicanalista Clínica, Técnica em Reabilitação de Dependência Química e Especialista em TEA (ABA) e Docência do Ensino Superior, cada registro ali representa a minha inserção real nos diversos espaços socio-ocupacionais que ocupamos hoje — seja na saúde, na educação, no judiciário ou no terceiro setor.
As fotos são um resumo de uma carreira pautada na busca constante pelo saber intelectual. Elas ilustram a realidade que descrevi no texto: as vivências, os desafios práticos e a resistência necessária diante das burocracias e normalizações que o sistema nos impõe. Elas retratam a caminhada de quem não apenas estuda, mas atua na linha de frente, enfrentando as dificuldades do exercício profissional com ética e competência.
Em suma: as imagens são a materialização da reflexão teórica que postei. É a teoria e a prática caminhando juntas. Espero que, ao reler o texto sob essa perspectiva, a correlação entre as palavras e as imagens fique mais nítida para você.
Seguimos na luta pela valorização da nossa categoria e pelo reconhecimento de quem constrói sua história com dedicação e saber.
Ginildete Manaia Assistente Social, Psicanalista e Especialista em Intervenção ABA.
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