A Engrenagem do Medo: Onde o Comércio e a Corrupção se Encontram em Lauro de Freitas Por: Ginildete Manaia
A Engrenagem do Medo: Onde o Comércio e a Corrupção se Encontram em Lauro de Freitas
Por: Ginildete Manaia
Como assistente social e psicanalista clínica, meu ofício é ouvir o que muitos tentam calar e tratar as feridas que a sociedade insiste em ignorar. No entanto, hoje escrevo não apenas como profissional, mas como cidadã e moradora de Lauro de Freitas, para relatar uma realidade ácida e dolorosa que nos asfixia diariamente: a simbiose entre o comércio local, o crime organizado e a falência das instituições que deveriam nos proteger.
É um deboche com a dignidade humana ver estabelecimentos que deveriam servir à comunidade atuando como braços logísticos de facções. Presenciamos, à luz do dia, o "comerciante de bem" financiando o tráfico, fornecendo materiais e suporte para quem destrói famílias, enquanto seus funcionários, sentindo-se protegidos por essa blindagem criminosa, ameaçam de morte quem ousa não se curvar. Onde o cimento que constrói a casa do vizinho é o mesmo que pavimenta o caminho da criminalidade, a estrutura social está em ruínas.
O que vivemos aqui é uma corrupção sistêmica. É uma engenharia perversa onde a "lei do silêncio" é garantida pela omissão — ou pior, pela cumplicidade — de quem deveria usar a farda e o distintivo para nos dar segurança. É inadmissível que a delegacia local, em vez de ser um porto seguro, funcione muitas vezes como um canal de vazamento para os marginais. Quando o cidadão busca socorro e a denúncia bate direto no ouvido do criminoso, percebemos que não estamos apenas enfrentando bandidos, mas um sistema apodrecido que distorce fatos e arquiva a verdade para manter regalias.
Eu não conquistei meu espaço no grito; comprei meu imóvel com suor e trabalho ético. Não aceito ser encurralada por quem se acha "dono do território" ou "capitão do mato" moderno. A criminalidade em Lauro de Freitas e nas comunidades vizinhas só impera porque há quem faça vista grossa e quem lucre com o caos.
Este artigo é um grito de basta e um alerta direto às autoridades máximas do Estado e do Ministério Público: é preciso intervir acima dessa corja local. Precisamos de uma justiça que não se venda por migalhas e de uma investigação que desmonte o braço financeiro que sustenta esses marginais com fachada de empresários.
A minha voz não será silenciada por ameaças, pois a verdade, por mais ácida que seja, é a única ferramenta que nos resta para inibir essa opressão. Que a mão do Estado venha para limpar o que a corrupção manchou, antes que a "vista grossa" termine de enterrar o que resta da nossa paz.
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