Dia Mundial da Terra: Onde o Direito Humano Encontra o Solo – 22 de Abril. Artigo de Opinião: Ginildete Manaia
Dia Mundial da Terra: Onde o Direito Humano Encontra o Solo – 22 de Abril
Artigo de Opinião: Ginildete Manaia
Neste 22 de abril, data que marca tanto o Dia Mundial da Terra quanto o "descobrimento" do Brasil, não vejo apenas uma paisagem, mas um organismo vivo que exige resistência. Como assistente social e defensora dos direitos humanos, minha trajetória me ensinou que não há justiça social em solo devastado. A fome e a exclusão são filhas diretas da degradação ambiental.
Minha prática não se encerra no discurso; ela ganha corpo na militância ativa em projetos como o Greenpeace e o Limpa Brasil. No entanto, minha reflexão hoje é atravessada pela indignação. É impossível falar de preservação sem denunciar a postura de políticos que, em pleno 2026, ainda operam sob a mentalidade colonial de 1500. Assistimos a tentativas vergonhosas de rifar a nossa Amazônia, entregando nossa soberania e biodiversidade para a exploração estrangeira.
É um ciclo vicioso: a mesma lógica extrativista que marcou o início da nossa história insiste em tratar a floresta como um almoxarifado de recursos e não como o coração regulador da vida. Quando representantes públicos articulam a entrega do nosso patrimônio, eles estão vendendo o futuro e a dignidade das comunidades tradicionais que jurei defender.
Este dia precisa ser de reflexão ácida. De pouco adianta limparmos as praias com o Limpa Brasil se as canetas de quem governa continuam assinando a destruição do bem comum. Proteger a Terra e a Amazônia é um ato de soberania. Sigo firme, unindo técnica e paixão, porque o Brasil só será verdadeiramente "descoberto" quando parar de ser tratado como colônia por aqueles que deveriam protegê-lo.
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