30 de Abril: O Dia Nacional da Mulher sob o Verniz da Hipocrisia Institucional Artigo de Opinião: Ginildete Manaia
30 de Abril: O Dia Nacional da Mulher sob o Verniz da Hipocrisia Institucional
Artigo de Opinião: Ginildete Manaia
Hoje, 30 de abril, o calendário oficial nos convoca a celebrar o Dia Nacional da Mulher. Mas, enquanto flores e frases de efeito inundam as redes sociais, eu me pergunto: que mulher estamos celebrando quando o próprio sistema desenhado para nos proteger se torna o nosso segundo agressor? Como assistente social e defensora dos Direitos Humanos, minha trajetória sempre foi pautada pela voz dos vulneráveis, mas hoje minha voz carrega a acidez de quem sentiu na pele o peso da negligência e da corrupção sistêmica.
O reconhecimento desta data é necessário, porém, para mim, ele é um convite amargo à reflexão. Recentemente, vivi um cenário de horror que não ocorreu em um beco escuro, mas dentro da 23ª Delegacia de Lauro de Freitas. Fui agredida na porta de minha casa por dois homens. Com o corpo marcado e provas irrefutáveis em vídeo, busquei o amparo do Estado. O que encontrei? Uma engrenagem corrompida.
A falta de sororidade — termo tão em voga, mas tão pouco praticado — foi o golpe mais doloroso. Fui recebida por uma delegada e uma escrivã que, em vez de acolhimento, escolheram a omissão. Vi meu depoimento ser manipulado para proteger agressores; vi a violência ser reduzida a uma "puxadinha", enquanto a participação de um segundo envolvido era covardemente ocultada. Mais do que negligência, sofri improbidade administrativa: fui intimidada com ameaças contra meus filhos e silenciada com o fantasma do desacato. Tenho áudios e vídeos que documentam essa violação de direitos humanos cometida por quem deveria empunhar a lei.
Onde está a proteção da mulher quando as instituições de segurança precisam de um "pente fino" urgente? Precisamos encarar que o sistema judiciário, muitas vezes, é uma armadilha para a vítima. Não basta termos mulheres em postos de poder se elas não praticarem a empatia e o rigor ético com suas semelhantes. A corrupção e a conveniência não podem ditar o destino de quem já foi ferida.
Neste Dia Nacional da Mulher, meu texto não é um agradecimento, é um manifesto. Denuncio o invisível, exponho a ferida aberta da nossa segurança pública e exijo um sistema que não seja cúmplice da violência. Sigamos juntas, não apenas nas celebrações, mas na coragem de expor as estruturas que tentam nos calar. A verdadeira homenagem à mulher não está em datas festivas, mas na garantia de que, ao buscarmos justiça, não sejamos novamente vitimadas pela mão do Estado.
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