Relato: O Peso do Silêncio e a Força do Reerguer. Por: Ginildete Manaia
Relato: O Peso do Silêncio e a Força do Reerguer
Hoje, olho para a minha trajetória e vejo que a minha força não nasceu da calmaria, mas da necessidade visceral de me reerguer. Ser mulher é, muitas vezes, enfrentar ataques, ameaças e agressões que tentam desfigurar quem somos. É lutar contra falsas narrativas que distorcem fatos e tentam transformar o agressor em vítima, enquanto nós, as verdadeiras vítimas, somos oprimidas e silenciadas por um sistema que ainda protege os seus.
Sinto na pele que a resiliência sozinha não basta. Precisamos de sororidade. A rivalidade entre mulheres é uma armadilha que só enfraquece a nossa luta e favorece quem nos quer caladas. Fortalecer redes de apoio não é apenas uma escolha, é uma estratégia de sobrevivência para legitimar nossos direitos como mães, cidadãs e sujeitos de direito.
Minha indignação se volta hoje para as estruturas que deveriam nos acolher. Não basta falar de violência doméstica; precisamos da universalização do atendimento especializado. Não importa se a agressão veio de um vizinho, de um estranho ou ocorreu na rua: a resposta do Estado deve ser preparada. É inadmissível chegar a uma delegacia territorial e enfrentar uma escuta desqualificada. Uma oitiva mal feita é uma nova violação; ela nos revitimiza e abre brechas para que o culpado saia como injustiçado.
Exigimos espaços de escuta qualificada com equipes multidisciplinares. É um apelo àqueles que ocupam cadeiras de poder: lembrem-se de que nenhum cargo os torna imunes. Atrás de cada autoridade, há uma mãe, uma filha ou uma irmã. A violência não escolhe rosto, e a negligência de hoje pode ser a tragédia de alguém que você ama amanhã.
Eu não aceito mais o silenciamento. Minha luta é para que nenhuma mulher seja invisibilizada por narrativas distorcidas e para que o sistema de justiça seja, finalmente, um lugar de amparo, e não de medo.
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