O Bullying e a Violência Silenciosa: Por uma Escola que Acolhe e Protege Por: Ginildete Manaia
O Bullying e a Violência Silenciosa: Por uma Escola que Acolhe e Protege
Ginildete Manaia
Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos, Especialista em ABA e Psicanalista Clínica
Em minha trajetória profissional, observo que o bullying não é apenas um "desentendimento entre crianças", mas uma manifestação de violência estrutural que corrói a saúde mental e a dignidade humana. Quando falamos do ambiente escolar, o impacto é devastador: ele ultrapassa os portões da instituição e invade o cerne da família, desestruturando o bem-estar de todos os envolvidos.
Um ponto crítico que muitas vezes é ignorado é que o bullying não se restringe apenas à relação entre alunos. Ele pode se manifestar de forma vertical e perversa, envolvendo professores, equipe de limpeza, inspetores e outros funcionários. Quando um educador ou colaborador se torna o agressor — ou quando se omite diante da violência —, a escola deixa de ser um santuário de aprendizado para se tornar um ambiente de trauma. Essa dinâmica contamina o clima organizacional e gera um ciclo de medo que paralisa o desenvolvimento pedagógico e emocional do estudante.
Para romper com essa engrenagem, é fundamental a implementação de uma equipe multidisciplinar dentro das escolas. Como assistente social e especialista em comportamento, defendo que a presença de profissionais de diferentes áreas — como psicologia, serviço social e psicopedagogia — é a única forma de garantir um olhar integral. Essa equipe não deve atuar apenas na "crise", mas na prevenção, mediando conflitos e oferecendo suporte tanto para o aluno vitimizado quanto para a família, que muitas vezes se sente impotente e desamparada.
Além disso, a escola moderna precisa adotar um circuito de monitoramento eficaz. Não me refiro apenas a câmeras de segurança, mas a um monitoramento ativo das relações sociais. É preciso criar canais de denúncia seguros, onde alunos e funcionários possam reportar abusos sem medo de retaliação. O acompanhamento constante e a aplicação de protocolos claros de intervenção são essenciais para que a lei e o respeito sejam soberanos.
Acredito que educar é, acima de tudo, cuidar. Não podemos aceitar que o espaço de formação do cidadão seja o mesmo onde se cultiva a exclusão. Minha missão é lutar por escolas que sejam territórios de paz, onde cada indivíduo — independentemente de sua função ou idade — seja tratado com a dignidade que merece.
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