O Carnaval de Salvador: Entre o Iate e o Naufrágio Social. Por:Ginildete Manaia
O Carnaval de Salvador: Entre o Iate e o Naufrágio Social
Ginildete Manaia
Assistente Social, Técnica em Reabilitação, Especialista em ABA e Pós-graduada em Ludopedagogia.
Olhar para a organização do Carnaval de Salvador sob a lente do Serviço Social e da análise comportamental é perceber que a "festa de barco" não é para todos. Enquanto os grandes trios e camarotes navegam como iates de luxo, o folião pipoca e o trabalhador informal lutam para não afogar em um mar de exclusão. A organização atual é eficiente em segregar, mas falha em incluir.
Minha análise crítica
A cidade foi loteada. O solo público virou convés privado, onde a logística privilegia quem paga pelo "ticket". Como especialista em ABA e Ludopedagogia, vejo um ambiente sensorialmente agressivo e socialmente higienizado, que empurra a base da nossa pirâmide social para as margens de um corredor de cordas e repressão.
O que proponho para uma navegação real:
- Equidade de Espaço: Priorizar a Pipoca com zonas de respiro e redução drástica do tamanho das cordas. O mar é público.
- Dignidade para a Tripulação: Transformar a realidade dos cordeiros e ambulantes com pontos de apoio, proteção social e remuneração justa. Sem eles, o barco afunda.
- Acessibilidade Sensorial: Implementar zonas de autorregulação para pessoas com TEA e neurodivergentes, tornando a festa lúdica e verdadeiramente inclusiva.
- Mobilidade Universal: Tarifa zero e transporte eficiente para que a periferia não chegue ao circuito já exausta.
Organizar não pode ser sinônimo de isolar. O Carnaval só será grande quando o brilho do camarote não for sustentado pela invisibilidade de quem está no chão.
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