Do Trauma ao Sentido: Minha Caminhada na Reconstrução da Existência.
Do Trauma ao Sentido: Minha Caminhada na Reconstrução da Existência
Como profissional — Ginildete Manaia, Assistente Social, Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos, Psicanalista Clínica, especialista em intervenção ABA aplicada ao Transtorno do Espectro Autista e pós-graduada em Docência do Ensino Superior com Ludopedagogia —, minha trajetória sempre foi pautada pelo cuidado com o outro. No entanto, a vida muitas vezes nos coloca diante de desafios que exigem que apliquemos em nós mesmos a ciência que oferecemos aos nossos pacientes.
Recentemente, tenho enfrentado situações complexas de perseguição e agressões, algo que impacta não apenas a minha vida, mas a segurança de quem mais amo: minha família. Quando o cenário externo tenta nos paralisar pelo medo, onde encontro forças para continuar? A resposta que encontrei reside na interseção entre a Logoterapia de Viktor Frankl e a Resiliência de Boris Cyrulnik.
A "Última Liberdade" e o meu Propósito
Frankl, um sobrevivente de campos de concentração, ensinou-nos que, mesmo nas circunstâncias mais desumanas, a última liberdade humana é escolher nossa própria atitude. Hoje, entendo que a perseguição que sofro tenta ditar a minha realidade, mas não pode ditar a minha essência. Decidi que minha energia não será consumida pelo "porquê isso está acontecendo?", mas sim pelo "para quê" continuo. O meu sentido está na proteção da minha dignidade, no zelo pela minha família e na firmeza da minha prática profissional.
A Arte de Reconstruir a Narrativa
Boris Cyrulnik nos lembra que a resiliência não é sobre aguentar o peso, mas sobre "tecer" uma nova história após o trauma. Como psicanalista, entendo que a perseguição busca o silêncio e a fragmentação. Ao narrar minha trajetória, ao ocupar meu lugar de fala e ao utilizar o conhecimento técnico — não apenas para tratar pacientes, mas como um "tutor de resiliência" em minha própria vida — eu realizo a minha "bricolagem": pego os pedaços da minha rotina abalada e reconstruo um Eu mais forte e integrado.
O Meu Compromisso
Minha formação é o que me permite olhar para o comportamento agressivo de quem me persegue e reconhecê-lo como um sintoma, não como uma verdade sobre mim. Não nego o medo; eu o enquadro. Ele é o reflexo do quanto amo e do quanto protejo o que é sagrado.
Hoje, compartilho isso não apenas como desabafo, mas como uma afirmação de que nenhuma agressão externa tem o poder de corromper a dimensão noética do ser humano. Continuo, aqui, sendo Ginildete Manaia: assistente social, técnica, psicanalista e, acima de tudo, uma mulher que transforma sofrimento em sentido e trauma em resistência.
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