A Hipocrisia do Estado e a Ganância sobre a Vulnerabilidade Juvenil Por: Ginildete Manaia
A Hipocrisia do Estado e a Ganância sobre a Vulnerabilidade Juvenil
Por: Ginildete Manaia
Assistente Social, Psicanalista Clínica e Técnica em Reabilitação de Dependentes Químicos.
Vivemos tempos de festa, mas, para mim, o cenário por trás dos holofotes é de uma profunda crise ética. Como profissional da saúde mental e social, não posso me calar diante da hipocrisia do Estado e da ganância desenfreada por status e dinheiro que atropela o futuro das nossas crianças e adolescentes.
A Lei e a Realidade das Ruas
É fundamental recordar que a lei não é uma sugestão. A Lei Federal nº 13.106/2015, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tornou crime vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar bebida alcoólica a menores de 18 anos. A pena prevista é de detenção de 2 a 4 anos, além de multa.
Apesar do rigor do texto legal e da presença constante de autoridades — juízes, promotores, advogados e policiais — nas nossas festas de largo, o que testemunho na capital baiana e região é uma venda indiscriminada. O sistema é oportunista e perverso: lança-se o produto na prateleira visando apenas o lucro, ignorando se quem consome é uma criança ou um adulto. A máxima do "farinha pouca, meu pirão primeiro" é o retrato fiel de um Brasil que sacrifica seus jovens em troca de metas batidas.
O Apelo à Prefeitura de Lauro de Freitas
Faço aqui uma ressalva necessária à Prefeitura de Lauro de Freitas e aos seus órgãos competentes. Existe um esforço enorme no cadastramento de profissionais e ambulantes para a comercialização de produtos durante os festejos. No entanto, o mesmo empenho usado para organizar o comércio e fazer propaganda de promoção política deve ser aplicado na fiscalização rigorosa.
Não basta cadastrar para arrecadar ou se promover; é dever do município garantir que esses comerciantes cumpram a lei. Se há estrutura para organizar o lucro, deve haver estrutura para fiscalizar a ética. A propaganda que vende "cuidado" e "bons costumes" cai por terra quando permitimos que o álcool chegue livremente às mãos de quem ainda não tem maturidade para lidar com ele.
Conclusão: Uma Ética Disfarçada
O que vemos é uma hipocrisia disfarçada de moral.
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