Reflexão de Fim de Ano: Sobre os "Donos do Mundo" de Bairro.
Reflexão de Fim de Ano: Sobre os "Donos do Mundo" de Bairro
Às vezes eu paro para admirar — com uma ironia bem fina, é claro — essas figuras ilustres que brotam nas comunidades. Sabe aqueles "diplomatas do asfalto" que, em vez de bom senso, preferem desfilar um currículo de nomes influentes e contatos perigosos como se fossem troféus de ouro? Pois é, eu vejo e fico impressionada.
É fascinante o esforço que essa gente faz para manter a pose de "intocável". O roteiro que eles me apresentam é sempre o mesmo: aquele olhar de quem quer intimidar o vento, as ameaças que já vêm ensaiadas e a frase que é música para os meus ouvidos: "comigo a porrada come e não dá em nada". Acho quase poético alguém dedicar tanta energia para tentar ser o vilão de um filme que eu, sinceramente, não estou interessada em assistir.
Eu fico pensando: deve ser exaustivo viver nesse personagem, precisando gritar "poder" em cada esquina só para disfarçar a própria insignificância. Afinal, pelo que eu sei, quem realmente tem influência não precisa de alto-falante, e quem é do crime prefere o silêncio ao espetáculo. Mas, para esses "coronéis de rua", o palco da arrogância parece ser o único lugar onde eles conseguem se sentir alguém.
Sigo aqui, assistindo a esse teatro de camarote.
Feliz Ano Novo! Que em 2026 a coragem seja usada para construir, e não para oprimir. E para aqueles que juram estar acima da lei, meu desejo é simples: que a justiça seja breve, justa e exata, assim como a toga dos nossos magistrados.
Autora: Ginildete Manaia
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